Paris de outro jeito

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Eu adoro viajar, por vários motivos. Um deles, e talvez seja a melhor parte da viagem, é poder reviver  cada momento, tudo que ficou muito bem guardado, não só em fotos, mas nos sentimentos, e quando voce se depara com alguma cena que te faz reviver tudo como se fosse ontem, aí sim a viagem terá valido a pena.

Acabo de ver o filme PARIS, (estou escrevendo num sábado chuvoso e frio) de Cédric Klapisch, e um dèjá vu tomou conta de mim. Confesso que fiquei um pouco melancólica, pois estou “ancorada” aqui desde minha viagem para Israel e Portugal, e já estou ficando com coceira.

Me lembrei muito de Paris, e mais uma vez tive a certeza que voltarei a Paris por toda a vida.

Claro que a “cidade luz”  já foi esmiuçada, e dar dicas de Paris sem estar lá neste momento é difícil, pois tudo muda e ao mesmo tempo tudo está eternamente lá. Então quero contar um pouco de uma andança por Paris, digamos assim, de outro jeito. Já havia estado lá algumas vezes, e feito os roteiros básicos; já havia feito todo o trajeto de carro e ficado extasiada pelo Vale do Loire, já havia  badalado em Saint Tropez. Mas eu queria viver Paris, não só olhar Paris.

Peguei a dica com uma amiga e tomei coragem. Aluguei um apartamento em Saint-Germain-des-Prés. Eu tinha verdadeira paixão por este bairro, a sonoridade do nome quando dito em perfeito Francês era apaixonante, e sabia que lá eu poderia ser um pouco francesa.

Sonhado e feito!

Cheguei em Paris num domingo de outono, e o taxi me deixou numa rua quase deserta, defronte para uma porta imensa de madeira. Pensei comigo: não pode ser aqui. Depois descobri que a Cherche Midi era uma rua longa e movimentada.  Logo avistei a dona do apartamento, uma francesa esguia e simpática  que apareceu se apresentou e girou a chave da grande porta. Diante de mim um pátio, com uma fonte no meio rodeada por  um conjunto de pequenos apartamentos. Tive que subir com minha mala, tres lances de uma escadinha estreita de madeira e ali estava o minúsculo quarto-cozinha e banheiro, meu tão sonhado apartamento em Paris. Depois que ela me explicou como funcionava tudo,  que era extremamente moderno, foi embora e me deixou lá, com os meus mais confusos sentimentos. Eu estaria sozinha por um periodo pequeno de tempo, mas que para mim, pareceu ser uma eternidade, pois eu nunca tinha viajado sozinha antes. Passado o medo, tratei de colocar o casaco e sair para explorar o bairro. Como era domingo estava tudo fechado, mas descobri uma pequena mercearia onde pude comprar manteiga e água. A baguete eu compraria depois,  toda manhã, pois ao lado, tinha um "boulangerie" divina. Mas eu estava morta de fome, então  arrisquei andar por mais alguns quarteirões e encontrei um pequeno café, onde sentei e pedi uma taça de champanhe e uma lazanha. Foi um banquete inesquecível, e ao me dar conta, sentada diante da taça de champanhe,  eu realizei...estava vivendo Paris.

Bem, detalhes tantos, que me renderia um livro, mas resumindo, acordava por volta de 9hs da manhã, preparava um café bem forte na minha Nespresso (aliás nunca mais me separarei de uma, pois todo dia subia a Rue de Bac e dava de cara com George Clooney me oferecendo um café) esquentava minha baguete com queijo de cabra, sentava para estudar detalhadamente o mapa e definia meu destino do dia. Mapa em punho, e a pé, saia curiosa, andando devagar.  Muitas vezes planejava chegar num lugar e me via em outro, pois não resistia quando descobria um beco e ao me enveredar por ele, saia totalmente do caminho.

Eu sempre planejava  minha volta por volta da 19 hs, quando ainda não havia escurecido e assim andei, andei, andei muito pela cidade, por todos os pontos turísticos, pelos museus, parques, lojas incríveis, parando sempre em um diferente “café” para tomar minha taça de champanhe. Mas o que eu mais amava era quando  no fim do dia, eu parava no  “ Le Bon Marche Rive Gauche", que ficava a duas quadras de casa. Era a hora que os franceses saiam do trabalho e paravam para comprar sua baguete e seu vinho. Aquele lugar é um verdadeiro paraíso. Eu passava uma hora inteira, olhando as gôndolas, observando as pessoas, demorando de propósito para escolher uma tábua de queijos e uma garrafa de vinho, e de quebra uns "macarons" ou outro doce divino. Ia feliz da vida para casa,  saboreava com toda a pompa meu banquete frances ao som de Piaf e depois ligava a TV ou lia até o sono bater. Na manhã seguinte começava tudo de novo, com direito a mudar o roteiro  e arriscar ir mais longe tão logo eu entendi o metro.  Poder me dar pequenos presentes, como ser maquiada pelo maquiador da Dior no saguão dos perfumes na Galeria Lafayette, ou sentar na Place des Vosges para ler, tudo no meu e só no “meu tempo” era delicioso.

Foi um desafio e tanto, pois ficar por minha conta, longe de todos, sem a proteção da língua, tudo que nossos filhos tiram de letra, para a mulher na casa dos “enta” e super enraisada foi incrível.  Só sinto que na época minha paixão pela fotografia ainda não estivesse tão aflorada como agora.

Se voce  já chegou aos “enta” e tem um desejo, seja qual for, realize, pois confesso que estou um pouco frustrada, pois planejei este ano viver de novo esta experiência, só que desta vez  na Itália. Estamos em Agosto e eu ainda não consegui ir, vivo arranjando desculpas.

 O tempo voa, preciso ganhar o mundo!

Quer saber mais?

Meu apto na Cherche Midi:

http://vacation.lodgis.com/pt/paris/description/1067344-rue-du-cherche-midi-apartamento/

Paris, o filme para inspirar voce:

http://www.nossadica.com/paris.php

Edith Piaf a trilha perfeita:

http://www.youtube.com/watch?v=0feNVUwQA8U

http://www.youtube.com/watch?v=0O1EamwMZhQ&feature=related

 

 

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Foto tirada por um casal passante...

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No apartamento, maquina no automatico

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Esta foi um garçón...rsrrs

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Banquete de chegada.....

 

comentários (11)add comment

taina comentou:

que delícia Fátima!!! Adoro como vc escreve..realmente vc deveria escrever um livro..conta mais!!!
bjos
22/08/2011

Cintia comentou:

Eu sempre quis faser uma viagem assim, e fico pensando que meu tempo "adolescente" passou, mas voce me inspirou.
beijo
23/08/2011

Paula comentou:

Fiquei com vontade de ir.
beijokas
23/08/2011

Lucas comentou:

Fatima, voce é uma caixa de surpresas e uma viajante compulsiva.heheheh
não vai dar sossego,enquando não colocar o pe na estrada.
boa semana
23/08/2011

Natalia comentou:

Bom dia Fatima,
conheci seu site agora, justamente pelas historias de viagem. Vou seguir seu roteiro de Portugal. muito bem detalahdo, adorei!
23/08/2011

helaine Cony comentou:

Se Nova York é a cidade que nunca dorme, Paris é onde não se pára nunca.
Paris, pra mim nada mais é que um grande amor, esta cidade-luz é sinônimo de romance!
Meu outro caso de amor é com a toda-poderosa “dama de ferro", a Torre Eiffel, não é apenas aquele gigante que estamos acostumados a ver nos cartões-postais. Há vida, e que vida, adoro o seu interior. São três pavimentos onde estão instalados um cinema que exibe um filme sobre a construção da torre, um restaurante (o disputadíssimo Jules Verne) e um museu de cera que mostra como era o escritório do construtor da torre, o engenheiro Gustave Eiffel.
Me delicio lendo suas experiências, vc realmente descreve muito bem, me faz viajar ao seu lado sentindo o sabor do vento, o gosto dos vinhos e o colorido da vida, aliás, te pergunto, como não se apaixonada por Paris casada com meu marido?
Seu Blog é o máximo, adoro os posts dos internautas, quando venho postar leio todos, cada um com a sua percepção, inteligência, humor e "otras cositas màs!"
Aliás, achei divertido o post da Clara Kapa, me fez lembrar o desenho animado que meus pequenos assistem, o Bob Esponja que mora dentro de um abacaxi dentro do mar. Não entendi direito uma coisa, ela quis dizer: "Cyber Café" ao invés de "Webcam" ou realmente ela esteve em várias Webcam em Paris?
Mas que IBOP FC, tendo acesso de FBG ST ANTOINE- Paris?!
Todo caso, Bob Esponja submerso em seu abacaxi com certeza deve ouvir nosso grande Vinícios, realmente a letra (quem nunca curtiu uma paixão - não vai ter nada não) é linda!
Beijo
24/08/2011

gui comentou:

Fatima, que legal e coincidencia estar lendo seu blog e voilá....de passagem em paris.... Estou no espirito do que vc escreveu e sentir o dia a dia do local que estamos, especialmente lugares como a frança é um privilegio....bem, ouvindo a Edith nao falta mais nada....ou melhor um bom vinho....rsrs.
Bem, cá estamos falando de coisas boas e....frança, gostaria de compartilhar uma musica que acho linda. Alem, disto, estou de passagem para Suiça e hospedados por 3 dias no vale do loire. Para quem gosta de um chateau despretensioso, um host magnifico, simpatico, educado e dedicado, sugiro ficarem no chateau du portail em monteaux. Claude recebe os hospedes como ninguem pierre é um eximio chef. Hoje tivemos tomato provençal e carne com batata assado com molho cremoso (bem, o nome em françes é um pouco diferente disto mas faltei das aulas de françes...rsrs). Bem, no mais, curtam o video com c'e si bon e tomem um bom vinho branco de preferencia de volvrary chemn blanc.....o link do chateaux tambem abaixo. gui

http://www.facebook.com/l.php?u=http://www.youtube.com/watch?v=0O1EamwMZhQ&feature=related&h=RAQAuNVUv

http://chateauduportail.com/contenu.php?page=accueil&langue=fr
24/08/2011

Fátima Coli comentou:

Uauuuu.....HC minha queridissima.....! Sem duvida voce mais do que ninguem sabe como a cidade nos fala ao coração.....Adorei as informações sobre a Torre....meus leitores agradecem....

e estou mesmo chique...

Meu querido Gui tbem me presenteou com estas dicas deliciosas..escrevendo direto da França.......e de novo meus leitores sairam ganhando...
é por isto que adoro escrever o Lobas....

aproveitem as dicas....são preciosas.....
beijos beijos beijos
24/08/2011

Jorge comentou:

Oi Fatima, gostei muito de como voce aborda suas viagens. Lugares já tão cantados em verso em prosa, e mesmo assim voce consegue surpreender seus leitores.
Tomo a liberdade de enviar um e-mail com um convite para voce.
Abraços
25/08/2011

Rosana Oliveira comentou:

Vc não se contenta apenas visitante, vc quer nativa (ou ao menos residente) por um periodo. Muuuuito legal e criativa essa maneira de conhecer melhor os lugares.
Agora me conta: como vc se virou com o idioma?
27/08/2011

Fátima Coli comentou:

Oi Rosana...bem vinda ao Lobas!
Olha...não tive dificuldade, pois embora os franceses não gostem muito eles acabam respondendo em ingles...se vc chega com jeitinho....
tbem arranho o frances...e depois de uma semana só onvindo frances vc acaba melhorando e falando o basico. no final só falava em frances.......esta é a vantagem de vc viajar sozinha....ter que aprender...eu faro pelos cotovvelos...então ....rsrsrsrsr
beijo
29/08/2011

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