Paris de outro jeito

Seg, 22 de Agosto de 2011 22:27
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Eu adoro viajar, por vários motivos. Um deles, e talvez seja a melhor parte da viagem, é poder reviver  cada momento, tudo que ficou muito bem guardado, não só em fotos, mas nos sentimentos, e quando voce se depara com alguma cena que te faz reviver tudo como se fosse ontem, aí sim a viagem terá valido a pena.

Acabo de ver o filme PARIS, (estou escrevendo num sábado chuvoso e frio) de Cédric Klapisch, e um dèjá vu tomou conta de mim. Confesso que fiquei um pouco melancólica, pois estou “ancorada” aqui desde minha viagem para Israel e Portugal, e já estou ficando com coceira.

Me lembrei muito de Paris, e mais uma vez tive a certeza que voltarei a Paris por toda a vida.

Claro que a “cidade luz”  já foi esmiuçada, e dar dicas de Paris sem estar lá neste momento é difícil, pois tudo muda e ao mesmo tempo tudo está eternamente lá. Então quero contar um pouco de uma andança por Paris, digamos assim, de outro jeito. Já havia estado lá algumas vezes, e feito os roteiros básicos; já havia feito todo o trajeto de carro e ficado extasiada pelo Vale do Loire, já havia  badalado em Saint Tropez. Mas eu queria viver Paris, não só olhar Paris.

Peguei a dica com uma amiga e tomei coragem. Aluguei um apartamento em Saint-Germain-des-Prés. Eu tinha verdadeira paixão por este bairro, a sonoridade do nome quando dito em perfeito Francês era apaixonante, e sabia que lá eu poderia ser um pouco francesa.

Sonhado e feito!

Cheguei em Paris num domingo de outono, e o taxi me deixou numa rua quase deserta, defronte para uma porta imensa de madeira. Pensei comigo: não pode ser aqui. Depois descobri que a Cherche Midi era uma rua longa e movimentada.  Logo avistei a dona do apartamento, uma francesa esguia e simpática  que apareceu se apresentou e girou a chave da grande porta. Diante de mim um pátio, com uma fonte no meio rodeada por  um conjunto de pequenos apartamentos. Tive que subir com minha mala, tres lances de uma escadinha estreita de madeira e ali estava o minúsculo quarto-cozinha e banheiro, meu tão sonhado apartamento em Paris. Depois que ela me explicou como funcionava tudo,  que era extremamente moderno, foi embora e me deixou lá, com os meus mais confusos sentimentos. Eu estaria sozinha por um periodo pequeno de tempo, mas que para mim, pareceu ser uma eternidade, pois eu nunca tinha viajado sozinha antes. Passado o medo, tratei de colocar o casaco e sair para explorar o bairro. Como era domingo estava tudo fechado, mas descobri uma pequena mercearia onde pude comprar manteiga e água. A baguete eu compraria depois,  toda manhã, pois ao lado, tinha um "boulangerie" divina. Mas eu estava morta de fome, então  arrisquei andar por mais alguns quarteirões e encontrei um pequeno café, onde sentei e pedi uma taça de champanhe e uma lazanha. Foi um banquete inesquecível, e ao me dar conta, sentada diante da taça de champanhe,  eu realizei...estava vivendo Paris.

Bem, detalhes tantos, que me renderia um livro, mas resumindo, acordava por volta de 9hs da manhã, preparava um café bem forte na minha Nespresso (aliás nunca mais me separarei de uma, pois todo dia subia a Rue de Bac e dava de cara com George Clooney me oferecendo um café) esquentava minha baguete com queijo de cabra, sentava para estudar detalhadamente o mapa e definia meu destino do dia. Mapa em punho, e a pé, saia curiosa, andando devagar.  Muitas vezes planejava chegar num lugar e me via em outro, pois não resistia quando descobria um beco e ao me enveredar por ele, saia totalmente do caminho.

Eu sempre planejava  minha volta por volta da 19 hs, quando ainda não havia escurecido e assim andei, andei, andei muito pela cidade, por todos os pontos turísticos, pelos museus, parques, lojas incríveis, parando sempre em um diferente “café” para tomar minha taça de champanhe. Mas o que eu mais amava era quando  no fim do dia, eu parava no  “ Le Bon Marche Rive Gauche", que ficava a duas quadras de casa. Era a hora que os franceses saiam do trabalho e paravam para comprar sua baguete e seu vinho. Aquele lugar é um verdadeiro paraíso. Eu passava uma hora inteira, olhando as gôndolas, observando as pessoas, demorando de propósito para escolher uma tábua de queijos e uma garrafa de vinho, e de quebra uns "macarons" ou outro doce divino. Ia feliz da vida para casa,  saboreava com toda a pompa meu banquete frances ao som de Piaf e depois ligava a TV ou lia até o sono bater. Na manhã seguinte começava tudo de novo, com direito a mudar o roteiro  e arriscar ir mais longe tão logo eu entendi o metro.  Poder me dar pequenos presentes, como ser maquiada pelo maquiador da Dior no saguão dos perfumes na Galeria Lafayette, ou sentar na Place des Vosges para ler, tudo no meu e só no “meu tempo” era delicioso.

Foi um desafio e tanto, pois ficar por minha conta, longe de todos, sem a proteção da língua, tudo que nossos filhos tiram de letra, para a mulher na casa dos “enta” e super enraisada foi incrível.  Só sinto que na época minha paixão pela fotografia ainda não estivesse tão aflorada como agora.

Se voce  já chegou aos “enta” e tem um desejo, seja qual for, realize, pois confesso que estou um pouco frustrada, pois planejei este ano viver de novo esta experiência, só que desta vez  na Itália. Estamos em Agosto e eu ainda não consegui ir, vivo arranjando desculpas.

 O tempo voa, preciso ganhar o mundo!

Quer saber mais?

Meu apto na Cherche Midi:

http://vacation.lodgis.com/pt/paris/description/1067344-rue-du-cherche-midi-apartamento/

Paris, o filme para inspirar voce:

http://www.nossadica.com/paris.php

Edith Piaf a trilha perfeita:

http://www.youtube.com/watch?v=0feNVUwQA8U

http://www.youtube.com/watch?v=0O1EamwMZhQ&feature=related

 

 

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Foto tirada por um casal passante...

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No apartamento, maquina no automatico

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Esta foi um garçón...rsrrs

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Banquete de chegada.....

 

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