Sem palavras

E-mail Imprimir PDF
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 

Lobas lindas. Um bom tempo se passou sem que eu tivesse palavras para deixar aqui. Nada mudou. Minha mente continua em turbilhão e minha alma inquieta custa a serenar, principalmente quando dias turbulentos vem e vão numa roda viva, sem que consigamos identificar o que nos rouba o tempo tão precioso do silencio, da quietude necessária, seja para escrever as palavras certas, ou as erradas; seja para rezar, para dançar ou qualquer outra coisa que seja para voce ou para mim, prioridade naquele instante.

Instante tão instantâneo que no segundo que dura seu simples ato de respirar ele já se foi. E nós ficamos parados, perplexos, esperando o trem numa estação que não existe mais.

Nesta minha pausa sem palavras, percebi a morte bem de perto. Ela veio de mansinho, sem avisar e levou embora uma pessoa muito amada por mim. E mais uma vez tive certeza do quanto pretensiosos somos, que não entendemos nadica de nada, pois a unica certeza que temos é que vamos morrer. O resto de tudo que acreditamos muda a todo segundo, e então quanto mais rápido entendermos isto, mais fácil deixamos para trás o que não nos serve mais. Como roupas fora de uso, que insistimos em guardar, ficamos colecionando coisas, pessoas, sentimentos, acumulando verdades, sonhos, mágoas, que estão fora de moda na nossa vida, ou pelo menos da minha. Acho que tenho mesmo é que falar por mim.

A morte sempre renova meus conceitos, pois é na urgência de querer viver intensamente uma vida que é passageira e curtíssima, que descubro que não existe urgências, que ousadias são desnecessárias, que sonhos são acalentadores desde que sejam possíveis. Mas a falta de urgência não tira a beleza de viver, nem a crença que eu tenho na minha fé, que passa longe dos conceitos religiosos, mas que contraditoriamente me faz permanecer em oração.

Uma amiga muito querida, (embora ela as vezes duvide disto) me disse uma coisa que me fez pensar. Ela me disse que eu era um ser "plural". Agora escrevendo, como sempre me acontece, fico flutuando em devaneios e me cai a ficha: o que seria viver se não houvesse as transformações? Ser plural é metamorfosear-se, regrar a dor, a alegria, e saber delas extrair a essência útil, que me serve de aprendizado.

Momentaneamente sem palavras escritas, mas muitas e muitas páginas lidas, e infinitas novas constatações, esta sou eu, não sou Lobas?

E aqui me vejo um pouco assim, nas palavras do querido amigo Mauricio: “Somos personagens de histórias que ainda não foram contadas. Um milagre que operamos ao viajar na noite do tempo, escrevendo a cada minuto um futuro que não conhecemos, em capítulos onde a vida se revela por trás de cada pensamento ou palavra, que nos torna ao mesmo tempo autores e atores de uma peça por vezes assustadora”. (Mauricio A Costa, em ‘O MENTOR VIRTUAL II’– O Elo Invisível – Campinas-SP).

alt

comentários (6)add comment

Leticia comentou:

Este post poderia ter qualquer titulo, menos o que vc deu a ele. Muitas palavras eu diria, como sempre querida Fatima Coli. Unica e plurl, quem te conhece sabe bem, um boa mistura
adorei
18/06/2012

Giovanni comentou:

Bela, voce é como fenix, e sempre volta, rsrs
mas falando serio, poucas e lindas palavras, sempre.
18/06/2012

Marta comentou:

Oi Fatima, sempre que posso dou um volta por aqui e nunca me arrependo.
Seus textos são poeticos e verdadeiros. Gosto do seu jeito franco de falar de voce. A foto do texto reflete esta sua caracteristica bem forte.
Muito bom mesmo.
Beijo
18/06/2012

Mayla comentou:

Amei o texto!!! perfeito!!!!!
Já estava com saudades dos seus posts... lov u!
18/06/2012

Sandra comentou:

Abordar a morte não é facil e voce a descreve muito bem, pois mesmo anunciada ela nos faz pensar.
Excelente texto . Parabens
19/06/2012

bya comentou:

FatimaColiiiiiiiiiiiii...q texto lindoooo..........vc falou somente c o coração, quem t conhece sabe disso.....LINDO....AMEI, como sempre..bjOssssssss
20/06/2012

Escreva seu comentário
menor | maior

busy

Os mais lidos

  • Mulheres impactantes
    Final de semana passado fui a São Paulo e assisti o espetáculo Evita. Na volta parei para um ca...
  • Viciada em lingerie
    Sou viciada em lingerie. Escolher a lingerie, faz tão parte de meu dia como faz parte tomar t...
  • Top 10 Portugal
       Top 10 Portugal Como prometido um resumo dos lugares mais bacanas da minha passagem ...
  • Avental sujo de ovo
    Quando penso em minha mãe, me vem a letra da música, que as freiras do Colégio São José onde...
  • Á margem de nós
    Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e ...
  • Unhas, desisto, ser loira não desisto nunca!
    Voces lembram que eu coloquei unhas postiças? Pois é, fiquei exatamente uma semana com elas. ...
  • Look da balada
    O friozinho deu uma trégua, e a noite de ontém na Fatto, casa bárbara, idealizada com esmero p...

Últimos comentários

Você está aqui: Comportamento Sem palavras